A dica do leitor de hoje é mais que especial, é um presente para os leitores do Longe e Perto. André, obrigada por dividir imagens tão lindas dessa experiência única.

 Planejamento de viagem – Sudeste Asiático

Por André Peixoto

Sempre tive uma grande curiosidade com relação a cultura milenar, as religiões e as grandes construções que datam de mais de 2.600 anos que estão espalhadas pelo sudeste asiático e decidi planejar com meses de antecedência quais seriam os destinos das minhas férias. Como sempre costumo pesquisar bastante sobre os destinos eu prefiro fazer todas as reservas por conta própria e assim já dá pra começar a curtir a viagem bem antes de embarcar!! A única exceção foi em Mianmar onde eu tive que buscar o auxílio de uma agência local (Mianmar Voyages, excelente!) devido a dificuldade em reservar os voos pela internet.

Já sabia que meu destino seria por aquela região do globo entre a Índia e a China e daí começamos, eu e a Moniqueta, a estabelecer as prioridades. Já sabíamos que não poderíamos deixar de fora o templo de Shwedagon, em Mianmar, o complexo de templos de Angkor, no Camboja e o magnífico templo de Borodudur na Ilha de Java, na Indonésia. No meio destes três destinos imperdíveis estava a Tailândia e então decidimos incluir três cidades na Tailândia: a frenética Bangkok, Chiang Mai e suas tribos e, é claro, as ilhas Phi Phi, que estrategicamente já pensava e colocar no meio da viagem para tirar aquelas “férias das férias”.

Roteiro Sudeste Asiatico

O planejamento antecipado fez com que eu economizasse bastante com hotéis e passagens aéreas. Definimos que chegaríamos por Kuala Lumpur, na Malásia, por uma questão de preço (Emirates). De Kuala Lumpur poderíamos partir para quase todos os destinos escolhidos e utilizamos a Air Asia sempre que possível (eleita a melhor companhia aérea low cost do mundo por 5 anos consecutivos). Quando os horários não eram bons ou não havia voos disponíveis utilizamos a Bangkok Airways, Thai Airlines e Malaysia Airways, todas muito boas.

Decidimos também passar de dois a três dias em cada cidade. Como os voos são curtos deu para aproveitar bastante!

A Inesquecível Mianmar

País localizado entre China, Índia e Tailândia, onde quase todos os 60 milhões de pessoas vivem em condicoes precárias e parece parado na história, Mianmar é a antiga Birmânia, país do Sudoeste asiático com 60 milhões de habitantes que sofre forte embargo econômico americano.

Mianmar

Sua economia é basicamente agrícola baseada na produção de arroz e teca, os cartões de crédito chegaram há menos de dois anos, ainda são pouco aceitos, e atualmente ainda é pouco aberto ao turismo. Sinal de celular? esquece!! Serviu de base militar dos britânicos durante a segunda guerra mundial quando sua antiga capital, Mandalay, estava ocupada pelos japoneses.

Mianmar

Em 2007 vários monges foram mortos após se rebelaram contra o governo ditador e nos últimos anos tem se aberto mais ao turismo.

Conversando com as pessoas durante esses dias em que visitei Mianmar, desde os mais simples até os mais esclarecidos eu pude perceber que eles ainda vivem num misto de desconfiança e esperança sobre seu futuro. Em 2015 haverá eleições presidenciais e a liderança que desponta é a Aung San Suu Kyi, ganhadora do prêmio Nobel da paz que permaneceu por muitos anos presa por se opor ao regime em Mianmar. Porém o atual ditador acabou de criar uma lei impedindo a candidatura da Suu Kyi devido aos seus filhos terem nascido fora de Mianmar (ela ainda luta para liderar o país!!). País de povo encantador, batalhador, humilde, bem-humorado e super receptivo aos turistas, que ainda são poucos. Surpreendente e inesquecível.

Mianmar

Yangon

Yangon, cidade de 6 milhões de habitantes, parece uma capital parada no tempo com prédios antigos e mal conservados da época da colonização inglesa e é uma das principais cidades de Mianmar. Veículos velhos, muitas motos e grandes pick-ups lotadas de gente por todos os lados…

Mianmar

Ficamos no Governors’ Residence, hotel administrado pela rede Orient Express, onde tive um dos melhores atendimentos desde sempre. Trata-se de um dos melhores hotéis da cidade e é um oásis de tranquilidade em meio ao caos de Yangon pertinho do principal ponto turístico de Yangon, a pagoda de Shwedagon (dá pra ir andando, mas o taxi custará no máximo USD 8).

Mianmar

Mianmar

A pagoda de Shwedagon com os templos budistas ao seu redor é um dos monumentos mais impressionantes que eu já vi na minha vida. A primeira pagoda foi construída há mais de 2.600 anos quando mercadores birmaneses, após encontrar com o Buda (o próprio Siddharta, o quarto Buda), ganharam de presente oito fios de cabelo do Buda. Após a construção desta pagoda que contém os fios de cabelo do Buda, ao longo do tempo, diversas outras pagodas sobre a original, como várias camadas.

Mianmar

A estrutura atual possui 98 metros de altura e é coberta por 60 toneladas de ouro, com um diamante gigante de um monte de quilates no topo. Centro de peregrinação budista em todo o mundo está sempre repleta de fiéis. Independente que qualquer que seja a religião, a fé e devoção das pessoas que vão ao templo é bastante forte e impressiona. A vista do portão norte é lindíssima e a visita ao entardecer com o céu mudando de cor e com o brilho dourado das pagodas é surreal.

Mianmar

Eu, particularmente, tive duas experiências interessantíssimas. A primeira delas foi quando eu vi pessoas tentando levantar, com dificuldade, uma pedra com cerca de 5 quilos, em um dos locais de oração. O que as pessoas fazem é que se concentram em um problema específico que estão passando e jogam essa “energia” na pedra. Em geral, quando tentam levantar da primeira vez, a pedra parece estar super pesada, como se tivesse o “peso” de todo o problema. Com bastante concentração e entendendo que só vc pode resolver seus problemas (conceito budista), você vai tentando levantar a pedra por várias vezes até que consegue!!! Notei que as pessoas saiam mais leves, cientes de que podem sim resolver seus problemas por si mesmas.

Mianmar

A segunda experiência foi quando vi que pessoas, concentradíssimas, jogavam vários copinhos de água na cabeça de uma estátua de mármore do Buda. Dependendo do dia da semana em que nasceu o local é diferente e as pessoas jogam a água para agradecer pelos anos vividos (um copinho para cada ano de idade), além de se purificar. Ao fim dos copinhos para cada ano de idade é jogado um último adicional, pelos anos que virão. Percebi que estou ficando velho porque o meu braço já doía no final dos meus 37 copinhos derramados.

Mianmar Mianmar

No budismo diz-se que podemos espalhar as vibrações positivas se tocarmos o sino após as orações…

Mianmar

Foto da foto no pequeno museu que mostra o diamante do topo da pagoda de Shwedagon.

Mianmar

Um dos mais de cem templos em Shwedagon

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Folhinha de ouro que você pode colar nas imagens do Buda.

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Detalhe de um dos templos de Shwedagon.

Mianmar

A noite jantamos no Karaweik que é esse barco no meio do lago com jeitão de carro alegórico da Beija-Flor.

Mianmar

Alegria dos veggies e amantes de curries. A salada de folha de bananeira é top!

Clique aqui e leia – Mianmar – Parte 2

Conheça nosso Leitor

André Peixoto, 37 anos, executivo de uma grande multinacional, casado com a Monique há 11 anos, busca transformar a paixão por viajar em um estilo de vida.

Fotos: André Peixoto

 

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